metade ferro metade brasa
frio como a distância
mas incandescente como a curiosidade
tem cor de palha seca e
inflama a um mero sorriso
o cheiro é de viagem
sobre um mar desconhecido
fez alento do nada que
paira sobre as águas
e ressuscitou a esperança
simbólica da nudez
este erro perdoável de
Quimera
que provoca deleite de
balança na mão
que provoca um fascínio
letrado de sentido
e uma envolvência quase
reticente de tão trémula
produz eviscerações dos
pensamentos mais recônditos
expostos à feroz
tentação da palavra escrita
da dor de existir ao
prelúdio de felicidade
as veias permanecem
quentes
e o corpo meu clama a
tua pele,
ambos arrepiados pelos
vestígios da noss'alma no travesseiro
onde o silêncio é
irrompido por gemidos de saudade
e risos fortes de
prazer
metade vida metade
sonho
metade vazio metade
tristeza
que apuram a
sensibilidade e aguçam o encanto
da metade poesia que o finito jaz em
nosso espírito
“o avesso do nada”
(resultado de um "cadáver esquisito" luso-brasileiro)
Autoria: Paola Vitali e Marco Ferro
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