14.1.15


metade ferro metade brasa
frio como a distância mas incandescente como a curiosidade 
tem cor de palha seca e inflama a um mero sorriso 
o cheiro é de viagem sobre um mar desconhecido
fez alento do nada que paira sobre as águas
e ressuscitou a esperança simbólica da nudez

este erro perdoável de Quimera
que provoca deleite de balança na mão
que provoca um fascínio letrado de sentido 
e uma envolvência quase reticente de tão trémula
produz eviscerações dos pensamentos mais recônditos
expostos à feroz tentação da palavra escrita

da dor de existir ao prelúdio de felicidade 
as veias permanecem quentes
e o corpo meu clama a tua pele, 
ambos arrepiados pelos vestígios da noss'alma no travesseiro 
onde o silêncio é irrompido por gemidos de saudade 
e risos fortes de prazer 

metade vida metade sonho
metade vazio metade tristeza 
que apuram a sensibilidade e aguçam o encanto
da metade poesia que o finito jaz em nosso espírito


                                                                                                 “o avesso do nada”
(resultado de um "cadáver esquisito" luso-brasileiro)


Autoria: Paola Vitali e Marco Ferro


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